1. O que é a Missa?
Os primeiros cristãos chamavam a missa de Ceia do
Senhor ou Fração do Pão. Nós
preferimos chamá-la de Eucaristia, que significa
Ação de Graças. Pode-se tentar definir
a Eucaristia com uma das aclamações após
a consagração, que diz: “Anunciamos,
Senhor, a vossa morte, e proclamamos a vossa ressurreição.
Vinde, Senhor Jesus”. É, portanto, a celebração
da morte e ressurreição de Jesus Cristo, a
sua Páscoa e a nossa.
2. Como nasceu a Celebração da Missa?
A celebração da Eucaristia nasceu com o próprio
Senhor Jesus. Na noite em que foi entregue, durante a última
ceia, ele tomou o pão, deu graças, o partiu
e o entregou a seus discípulos, dizendo: “Tomai
e comei todos vós. Isto é meu corpo, que será
entregue por vós”. Terminada a ceia, tomou
um cálice com vinho, deu graças e o passou
aos discípulos, dizendo: “Tomai, todos, e bebei.
Este é o cálice do meu sangue, o sangue da
nova e eterna aliança, que será derramado
por vós e por todos, para a remissão dos pecados”.
Essas palavras do Novo Testamento mostram a instituição
da Eucaristia.
3. Quais as passagens do Novo testamento que narram a instituição
da Eucaristia?
O Texto mais antigo é 1 Coríntios 11, 23 –
25, Lucas 22, 19-20, Mateus 26,26-28 e Marcos 14, 22-24
narram o mesmo acontecimento, com algumas diferenças
entre eles. O evangelho de João não traz texto
semelhante, mas não deixa dúvidas sobre o
comer a carne e beber o sangue do Senhor (João 6,51-58).
Em vez de simplesmente narrar a instituição,
o evangelho de João mostra a importância de
comungar o Corpo e o Sangue do Senhor e suas conseqüências
para a vida.
4. Por que não dar aos fieis também o vinho
consagrado?
O ideal é que todos comunguem do Corpo e do Sangue
do Senhor. Se não faz assim, talvez seja por praticidade.
Quem comunga só a hóstia consagrada, porém,
está comungando Cristo na totalidade. Você
não acha que na sua comunidade seria possível
comungar sempre sob duas espécies?
5. Os cristãos celebram a Eucaristia desde o início?
Sim, a Eucaristia faz parte da vida cristã desde
o começo, pois na última ceia Jesus mandou:
“Fazei isto em memória de mim”. Os Atos
dos Apóstolos (2,42) falam da Fração
do Pão, celebrada desde o começo. As comunidades
fundadas por Paulo também celebravam a Ceia do senhor
– a Eucaristia – num clima de partilha também
dos alimentos (1 Coríntios 11,17-34).
6. A Eucaristia é simples lembrança da paixão,
morte e ressurreição do Senhor?
Não. Não dizemos que “recordar é
viver”? Pois na Eucaristia revivemos a Páscoa
do Senhor. Para o povo da Bíblia, memória
não é recordação de algo que
ficou perdido no tempo. É celebrar aquele acontecimento,
trazendo-o para o hoje, com a mesma força que teve
no passado.
7. Alguns grupos neopentecostais celebram a “Ceia
do senhor”. Trata-se de Missa?
Nós cremos que sem o ministro ordenado não
há missa. A celebração da Eucaristia,
tal como a celebração hoje, não é
fruto de improvisação, mas resultado de uma
caminhada que se iniciou com o próprio Jesus, continuou
pela prática dos apóstolos e chegou até
nós.
8. Qual a relação entre a missa e a Páscoa
do senhor?
Toda missa é celebrada do mistério pascal.
Em cada Eucaristia celebramos a paixão, morte, ressurreição
e ascensão do senhor Jesus. Na missa celebramos a
Páscoa do Senhor, sua passagem da morte para a vida
e a passagem deste mundo para o Pai. Isso se torna ainda
mais sério quando descobrimos que Jesus instituiu
a Eucaristia numa celebração da Páscoa
dos Judeus. A Páscoa dos Judeus, ainda hoje, é
a festa em que se comemora a saída da escravidão
no Egito, a passagem da escravidão para a liberdade.
9. Em que dia da semana os
primeiros cristãos celebravam a Eucaristia?
No Domingo. Há várias passagens do Novo Testamento
que falam disso, por exemplo, 1 Coríntios 16,2; Apocalipse
1,10, que chama domingo de “dia do Senhor”.
No dia em que o Senhor venceu a morte, os cristãos
proclamaram “anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos
a vossa ressurreição...”. O domingo
é o dia que dá sentido e valor aos outros
dias da semana.
10. Até quando os cristãos devem celebrar
a Eucaristia?
O apóstolo Paulo pede para celebrar a memória
da morte e ressurreição de Jesus “até
que o Senhor venha” (1 Corintios 11, 26). É
por isso que numa das aclamações após
a consagração pedimos: “Vinde, Senhor
Jesus”. Este pedido era uma oração freqüente
dos primeiros cristão, que oravam: Marana tha.
11. Qual a importância da Eucaristia na vida dos cristãos?
A Eucaristia é a fonte e o ponto alto da vida cristã.
Para descobrir sua importância, basta lembrar o seguinte:
Nos primeiros séculos, os cristãos foram perseguidos
por causa da sua fé e por participarem da Eucaristia.
Sabe o que os cristãos da África responderam
a seus perseguidores no ano 303? “Não podemos
existir sem ela. O domingo não pode ser celebrado
sem assembléia do Senhor”. E davam a vida por
isso.
12. O domingo é o único dia para participar
da Eucaristia?
Não. Entre os dias da semana, o domingo é
o mais importante, por ser o “dia do Senhor”.
Para ir ao encontro das necessidades dos cristãos,
muitas comunidades celebram a missa vespertina (sábado
à tardinha). Visto que os tempos mudaram, quem não
tem condições de participar aos domingos pode
fazê-lo num outro dia da semana.
13. Quem celebra a Eucaristia?
Todos celebram, cada uma seu modo. O grande celebrante é
o próprio Senhor Jesus, que novamente se entrega
e se oferece ao Pai por nós. O ministro ordenado
preside, e toda a assembléia dos batizados participa
enquanto “sacerdócio real” e membros
do corpo de Cristo, que é a Igreja. Os ministros
ordenados são o Bispo e o Presbítero. A palavra
“presbítero” significava na origem o
“ancião” que dirigia a comunidade. Hoje
é sinônimo de “sacerdote” e “padre”.
É melhor usar a palavra Presbítero. O Diácono
significa “servidor”. Ele auxilia o Bispo ou
o Presbítero na celebração da Eucaristia.
14. Tem sentido o padre celebrar a Eucaristia sozinho?
A Eucaristia é essencialmente um ato comunitário,
celebrada em espírito de fraternidade e de partilha.
Além disso, é preciso pensar que no mundo
inteiro há milhares de comunidades que não
tem Eucaristia aos domingos por falta de ministro ordenado.
As exceções são raras.
15. Rezar missa pelos mortos faz sentido?
A Eucaristia é Ação de Graças.
Nesse grande agradecimento, há espaço também
para a memória dos falecidos. Nas intercessões
das orações eucarísticas pedimos também
por eles, pois acreditamos na comunhão dos santos”
e na comunhão das coisas santas. Além disso,
rezar pelos mortos significa que a morte não matou
o amor. Se na Eucaristia celebramos a Páscoa do senhor,
por que não rezar pela Páscoa dos falecidos?
Contudo, reduzir a Missa a uma oração pelos
mortos é diminuir seu significado.
16. Quais são as cores litúrgicas e o que
significam?
Na celebração da Eucaristia fazemos comunhão
com Deus, com as pessoas, com as coisas e com a história.
Celebramos a vida de Deus em nós e a nossa vida na
vida dele. As cores litúrgicas são um convite
a entrar em comunhão. Elas estão visíveis
em quem preside (estola e casula), no altar, na mesa da
Palavra etc. As cores litúrgicas nos informam o que
estamos celebrando. O roxo – usado no Advento, Quaresma,
funerais etc. – convoca à preparação
da vinha do Senhor (Natal), à mudança de vida
na Quaresma, e nos faz pensar na fragilidade da vida (exéquias).
O branco é a cor da ressurreição, da
alegria do tempo da Páscoa, do Natal, das festas
do Senhor, de Maria, dos santos não martirizados
etc. O vermelho é a cor da paixão da sexta-feira
santa, do fogo do amor no Pentecostes, das festas dos mártires...
que “alvejavam suas vestes no sangue do Cordeiro”
(Apocalipse 7,14). O verde – cor do tempo comum –
marca a maior parte das celebrações durante
o ano. Com o verde caminhamos na esperança de nossa
plena comunhão com Deus.
17. Quais são as partes da celebração
eucarística?
São duas: Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística.
Além disso, há os Ritos Iniciais e os Ritos
Finais. As duas partes são chamadas também
de duas mesas, das quais nos alimentamos, a Mesa da Palavra
e a Mesa da Eucaristia. São duas faces da mesma moeda.
18. O que são os Ritos Iniciais?
São o começo da celebração,
marcado pelo canto de entrada, o sinal da cruz, a saudação
do presidente, o ato penitencial, o hino de louvor (Glória)
quando prescrito e a oração de quem preside,
chamada “coleta” .
19. Onde começa e termina a Liturgia da Palavra?
A Liturgia da Palavra começa com a primeira leitura,
continua com o salmo responsorial, a segunda leitura (quando
houver), a aclamação ao evangelho, a proclamação
do Evangelho, a homilia, a profissão de fé
(quando houver) e as preces da comunidade (também
chamada de prece universal, oração dos fieis,
oração da assembléia). É a “primeira
mesa” que nos alimenta, a Mesa da Palavra.
20. A Liturgia Eucarística vem logo a seguir?
Sim. É a “segunda mesa”, e nosso olhar
se concentra no altar, na Mesa da Eucaristia. Inicia-se
com a apresentação das ofertas e continua
com a oração sobre as oferendas. O prefácio
abre a oração eucarística, centro de
toda a celebração. Ela termina com a doxologia
“Por Cristo...” e o “Amém”
da assembléia. Vem, a seguir, o Pai-nosso e as orações
que o acompanham, o abraço da paz, a fração
do pão, a invocação do Cordeiro de
Deus, a comunhão, a ação de graças
e a oração do presidente, chamada de oração
“depois da comunhão”.
21. E os Ritos Finais?
Compreende a bênção e a despedida. Algumas
comunidades terminam com um canto.
22. Por que alguns lugares tocam a campainha na hora da
elevação?
Certamente porque não entenderam para que serviam
as campainhas. No tempo em que a missa era em latim, serviam
para avisar o povo que havia chegado o momento da consagração,
e era preciso concentrar-se (parar a reza do terço,
em certos lugares). Quando o padre impunha as mãos
sobre as ofertas, tocava-se o sininho pela primeira vez.
Tocava-se ainda na elevação e na genuflexão
do sacerdote. Hoje, se alguém precisa ouvir campainhas
para saber que chegou o momento da consagração,
significa que conhece bem pouco daquilo que se celebra.
23. Está certo rezar
o terço durante a missa?
Não. Esse era um costume anterior ao concílio
Vaticano II. Nessa época, a missa era em latim, o
povo não entendia nada, e só participava rezando
o terço. As coisas mudaram, graças a Deus.
Hoje participamos cantando, escutando, respondendo, comungando...
Continuar rezando o terço durante a missa é
recusar o ótimo para ficar com o menos bom.
Seria bom se...
Seria bom se você chegasse na igreja um pouco antes,
não em cima da hora, menos ainda atrasado; e observasse
o ambiente, a cor litúrgica, a Mesa da Palavra (o
ambão de onde se fazem as leituras), o altar ou a
Mesa da Eucaristia, de onde Jesus se entrega por nós.
Nas missas solenes o altar é incensado. Em muitas
igrejas, o altar contém a “pedra d’ ara”,
onde estão guardadas relíquias de santos e
mártires. A Eucaristia da qual você vai participar
é celebrada em comunhão com o testamento dos
santos e mártires. Observe a cruz sobre o altar ou
ao lado dele, as velas (o círio no tempo pascal)
postas sobre o altar ou ao lado...
Note a presença de flores, concentre-se e reze. Se
quiser cumprimentar amigos(as), não faça estardalhaço.
Prepare-se para a grande celebração. Sinta-a
como se fosse a primeira vez, viva-a como se fosse a última.
Pois Jesus celebrou a Eucaristia uma única vez, na
Santa Ceia. Isso lhe valeu a morte e ressurreição.
RITOS INICIAIS
As equipes de liturgia geralmente preparam uma introdução
e comentários. Na introdução buscamos
os motivos que nos levam a celebrar: o tempo litúrgico,
pessoas, comunidades, aquilo que acontece no país
e no mundo... É importante estarmos bem motivados
para celebrar.
Muitas
comunidades criaram o ministério da acolhida, para
receber bem as pessoas, orientá-las e se for preciso,
da mesma forma como acolhemos bem vem à nossa casa.
Esse ministério cria um clima de família,
e é muito gratificante ser bem recebido, inclusive
pelo presidente da celebração.
1.Canto de entrada
Não é só para “acolher”
o presidente da celebração e os ministros.
O canto de entrada deseja criar um clima de festa, de alegria,
de família, de fraternidade, de comunhão com
Deus e as pessoas. Canta-se de pé. Nas festas, costuma-se
fazer a procissão de entrada, com a cruz, o evangeliário
(Bíblia), incenso etc. O canto de entrada –
como os demais cantos – deve estar sintonizado com
o tema do dia.
2. Sinal da cruz
O sinal da cruz é a porta de entrada e de saída
da missa. É composto de gesto e palavras. Com ele
marcamos nosso corpo, consagrando-o à Trindade santa.
Faça-o com respeito e com sentido, pois é
o sinal que caracteriza o cristão. Alguns sacerdotes,
para ressaltar a importância, gostam de cantá-lo.
O gesto é repetido mais vezes ao longo da missa.
3. Saudação
O presidente da celebração saúda a
assembléia. É o começo de um longo
diálogo que percorre toda a celebração.
A saudação normalmente é tirada das
cartas do Novo Testamento. A assembléia louva a Deus
por tê-la reunido no amor de Cristo.
4. Ato penitencial
Reunidos em nome da trindade, pedimos perdão. O ato
penitencial é ao mesmo tempo confissão de
nossas faltas e profissão de fé na misericórdia
divina. Quando queremos dar ênfase a esse gesto, pedimos
perdão cantando.
5. Hino de louvor
É conhecido como Glória, e seria bom que fosse
sempre cantado. É a grande doxologia da missa. (Doxologia
significa louvação.) A Liturgia prescreve
o Glória nas festas e solenidades, bem como nos domingos
(exceto Advento e Quaresma). É um hino de louvor
ao Pai por causa de Jesus Cristo, na força do Espírito.
De fato, o motivo central da louvação é
Jesus Cristo. Não deve ser substituído por
nenhum outro canto.
6. Oração chamada “coleta”
É a primeira das três orações
ditas “presidenciais”, reservada a quem preside,
que a reza em nome da assembléia. Enquanto “coleta”,
deseja reunir e unir todos os sentimentos da comunidade
que celebra. Depois de dizer “oremos”, o padre
faz uma pausa para que cada pessoa coloque diante de Deus
as próprias motivações. O “Amém”
da assembléia significa que ela esta de acordo.
LITURGIA DA PALAVRA
Algumas comunidades, nas missas solenes, costumam fazer
a entrada da Bíblia. Sentada, a assembléia
se prepara a escutar. Os cristãos – como povo
de Deus do Antigo Testamento – são o povo da
escuta: “Escuta, Israel.. teu Deus vai falar”.
Está posta a primeira mesa, a Mesa da Palavra.
1. Primeira Leitura
Nos domingos, festas e solenidades, a primeira leitura é
quase sempre tomada do Antigo Testamento (exceção,
por exemplo, nos domingos do Tempo Pascal). A leitura do
Antigo Testamento foi escolhida em função
do evangelho, formando quase sempre um par em torno de um
tema (sobretudo no Tempo Comum). Nos dias de semana, no
espaço de dois anos – divididos em par e ímpar
– lêem-se as passagens mais significativas de
toda a Bíblia – exceto os evangelhos. Neste
caso, raramente a leitura e o evangelho têm tema comum.
A(s) leitura(s) termina(m) com “Palavra do Senhor”.
A assembléia responde “Graças a Deus”.
2. Salmo responsorial
O salmo (às vezes outro hino da Bíblia) é
resposta orante da assembléia. Deus fala, a comunidade
responde com um salmo, que deveria ser cantado, pelo menos
o refrão. A numeração do salmo provavelmente
não coincide com a da Bíblia que você
usa, porque a Liturgia ainda usa a numeração
latina. Note, aprecie e reze a sintonia entre a leitura
e o salmo. Nunca se deve substituí-lo por outro canto
qualquer.
3. Segunda leitura
Nos domingos e solenidades há a segunda leitura,
sempre tomada do Novo Testamento. No tempo Comum, é
a leitura contínua das passagens mais significativas
das cartas do Novo Testamento, sem necessariamente combinar
com a primeira leitura e o evangelho. No projeto inicial,
a segunda leitura pretende iluminar a prática pastoral
das comunidades.
4. Aclamação ao evangelho
De pé, a assembléia acolhe a Palavra por excelência,
o próprio Jesus que nos fala. Mediante o canto, manifestamos
a alegria de tê-lo entre nós, falando conosco.
O canto é alegre e vibrante: Aleluia! (Exceto na
Quaresma). E a estrofe é sempre tirada da própria
Bíblia. Nas missas solenes, há uma procissão
com o livro dos evangelhos e incenso.
5. Evangelho
Quem preside (um concelebrante ou diácono) proclama
o evangelho do dia. Às vezes é cantado, para
sublinhar o caráter de festa. Quando se usa incenso,
antes de ser proclamado, incensa-se o evangelho. Nos domingos
do tempo Comum, de modo geral, lemos um evangelho a cada
ano. Mateus (Ano A), Marcos (Ano B) e Lucas (Ano C). O evangelho
de João entra um pouco por tudo, particularmente
na Quaresma e Tempo Pascal. Nos dias de semana, no intervalo
de um ano, lemos praticamente todos os evangelhos.
A proclamação do evangelho é o ponto
alto da Liturgia da Palavra. Marcamos com uma cruz (persignação)
a testa (mente), a boca (palavras) e o peito (sentimentos),
para expressar o desejo de que a Palavra nos guie em tudo
o que pensamos, dizemos e fazemos. A proclamação
termina sempre com “Palavra da Salvação”.
A assembléia responde “Glória a vós,
Senhor”.
Terminada a proclamação, o evangelho é
reverenciado com o beijo de quem o proclamou.
6. Homilia
Quem preside dirige a palavra à assembléia
sentada, explicando o sentido das leituras e ajudando a
comunidade a aprofundar a Palavra à luz da nossa
realidade. É o momento em que tentamos descobrir
o que a Palavra tem a nos dizer. É importante escutar
com atenção e respeito, pois não se
trata palavras de ontem, mas da Palavra para o nosso hoje.
7. Profissão de fé
A homilia abriu nossos olhos e aqueceu o coração.
Por isso, de pé, a assembléia professa a fé,
rezando o Creio. Há duas formulas, o Símbolo
dos Apóstolos (o mais curto) e o Símbolo Niceno-constantinopolitano
(mais longo), resultado de muita reflexão e escrito
como síntese da fé cristã. Chama-se
assim por ter surgido após os concílios de
Nicéia e Constantinopla. É uma espécie
de assinatura da comunidade que celebra, selando seu compromisso
com Deus que fala. É praticamente o fecho da Liturgia
da Palavra. O Creio é rezado todos os domingos e
solenidades.
8. Preces da assembléia
Aos domingos – e sempre que for oportuno – rezam-se
as preces da assembléia. A comunidade celebrante
abre o coração e expressa seus sentimentos,
rezando. As preces dos fieis trazem para dentro da assembléia
o mundo todo, a Igreja, todos os necessitados. E fazem-se
pedidos para as necessidades da própria comunidade
e das pessoas que a compõem.
LITURGIA EUCARÍSTICA
Da Mesa da Palavra passa-se à Mesa da Eucaristia.
Nossa atenção concentra-se agora no altar.
Há comunidades que, nesse momento, preparam a mesa
com elementos essenciais. Para solenizar este momento faz-se
a procissão das ofertas: pão, vinho e símbolos
da vida da comunidade. A Mesa da Eucaristia esta pronta:
toalhas, corporal, missal, pão e vinho. Cada cristão
é convidado a fazer-se oferta, segundo o pedido de
Paulo: “Peço que vocês ofereçam
os próprios corpos como sacrifício vivo, santo
e agradável a Deus” (Romanos 12,1).
1. Canto e apresentação das oferendas
Durante a procissão das oferendas, canta-se o canto
das próprias ofertas. Nesse momento, as pessoas fazem
espontaneamente a própria oferta para as necessidades
da comunidade e da Igreja. Antes de apresentar o vinho,
mistura-se nele um pouco de água. Esse gesto lembra
o que Jesus fez no fim da última ceia: ele pegou
uma taça em que havia vinho misturado com água.
Era provavelmente a terceira taça da ceia pascal
judaica. O vinho era misturado com água para que
os participantes se mantivessem sóbrios.
Durante o canto – ou sem ele – o presidente
apresenta ao pai do céu as ofertas do pão
e do vinho, frutos da terra e do trabalho humano. Essas
ofertas se tornarão pão da vida (corpo de
Cristo) e cálice da salvação (Sangue
de Cristo).
Estamos habituados a chamar esse momento de “ofertório”
(canto de ofertório), mas trata-se simplesmente de
“apresentação das oferendas”.
Veja o que o presidente diz: “Bendito sejais, Senhor
Deus do universo, pelo pão (pelo vinho) que recebemos
de vossa bondade... e agora vos apresentamos...”.
Assim como Jesus, na última ceia, tomou o pão...,
aquele que preside toma as oferendas do povo e as apresenta
a Deus. Quanto sobre o altar.
Feita a apresentação das ofertas, o celebrante
principal lava as mãos. É resultado de prática
antiga, quando a assembléia oferecia produtos da
terra e, após recebê-los, o padre tinha de
lavar as mãos. Muitos padres hoje dispensam esse
gesto, chamado “lavabo”. Tem o sentido de purificação,
pois o padre pede: “Lavai-me, Senhor, das minhas faltas
e purificai-me de meus pecados”.
2. Orai, irmãos...
Terminado o canto, o presidente da celebração
convida a assembléia a se unir numa só oração
para que Deus aceite o sacrifício que está
sendo oferecido. De pé, os fieis expressam o desejo
de que Deus aceite o sacrifício pelas mãos
de quem preside.
3. Oração sobre as oferendas
É a segunda oração presidencial da
missa. Em nome da assembléia que celebra, o presidente
pede a Deus que aceite as ofertas do povo. A comunidade
consente com o “Amém”.
4. Oração eucarística
Começa a oração eucarística,
centro de toda a celebração. A assembléia
está de pé (e se ajoelha na consagração),
participando com respeito nas aclamações da
comunidade (que podem ser cantadas). No Brasil, temos 14
orações eucarísticas (3 delas para
missas com crianças, 2 sobre a reconciliação,
4 para diversas circunstâncias). Algumas delas têm
prefácio próprio (por exemplo a 4ª).
Quem preside, junto com a equipe de liturgia, procure uma
oração eucarística que sintonize com
o tema do dia ou do tempo litúrgico. Assim há
mais unidade na celebração.
Na última ceia, depois de tomar o pão, Jesus
deu graças. Da mesma forma, junto com seu presidente,
a assembléia rende graças a Deus mediante
a oração eucarística. Cada oração
eucarística tem suas características. Mas
todas possuem em comum estes 8 elementos:
a. Prefácio. É a abertura da oração
eucarística. O prefácio é uma ação
de graças ao Pai por Jesus Cristo, e inicia-se com
um diálogo entre o presidente e a assembléia.
Há muitos prefácios: para os tempos litúrgicos,
solenidades, festas etc. Quando o prefácio é
chamado de “próprio”, significa que forma
um todo com aquilo que celebramos. No tempo comum, há
prefácios à escolha.
b. Santo. O prefácio termina com um louvor
cósmico a Deus. A assembléia se une a esse
coral universal e canta a santidade de Deus com esta doxologia:
“Santo, Santo, Santo...”. O “Santo”
deveria ser sempre cantado.
c. Epiclese. É a invocação do
espírito Santo sobre as oferendas. O presidente da
celebração impõe as mãos sobre
o pão e o vinho, e pede que, por ação
do Espírito Santo, se tornem Corpo e Sangue de nosso
Senhor Jesus Cristo. O momento é extremamente importante
e faz pensar nas grandes intervenções fecundantes
do espírito (por exemplo, na anunciação
– Lucas 1,35).
d. Narrativa da instituição e consagração.
É o ponto alto da celebração
eucarística. Quem preside repete os gestos e palavras
do Senhor na última ceia. O pão e o vinho
se tornam Corpo e Sangue do Senhor. O sacerdote mostra ao
povo a hóstia e o vinho consagrados, e todos adoram
em silêncio o Corpo e o Sangue de Cristo.
Nunca compreenderemos
suficientemente o que a Trindade fez e faz em nosso favor
em cada Eucaristia. É o mistério da nossa
fé, ao qual o povo responde com uma das aclamações.
e. Anamnese (ou seja, memorial). O próprio
Senhor Jesus ordenou: “Fazei isto em memória
de mim”. E o apostolo Paulo escreveu a esse respeito:
“Todas as vezes que vocês comem deste pão
e bebem deste cálice, estão anunciando a morte
do Senhor, até que ele venha” (1 Corintios
11,26). É isso que o sacerdote proclama em nome de
toda a assembléia que celebra. Você pode observar
isso nas primeiras palavras após a consagração.
Note também que o presidente fala na primeira pessoa
do plural (nós), em nome de toda a comunidade.
f. Oblação (ou ofertório). Agora
é que aparece a palavra “ofertamos”,
sinal de que o verdadeiro ofertório da missa acontece
aqui, e a oferta é insuperável: o próprio
Cristo – seu Corpo e Sangue – oferecidos ao
Pai, no Espírito, por nós. Mas não
basta isso. Pede-se que pela força desse sacrifício,
todos os cristão se tornem um só corpo, em
Cristo. Em suas cartas, o apostolo Paulo insistia que a
igreja é o Corpo de Cristo. Recebendo o Corpo de
Cristo nos tornamos Corpo de Cristo, pela ação
do Espírito Santo.
g. Intercessões. Ainda em nome de toda a assembléia,
o presidente (outros padres nas concelebrações)
faz as intercessões: pela Igreja (Papa, Bispo(os),
Presbíteros, Diáconos, todo o povo de Deus),
pela comunidade que celebra sua fé, pelo mundo todo
e pelos fieis defuntos. É o momento de recordar os
mortos – aqueles que conhecemos, amamos, mas também
“aqueles que morreram na vossa amizade”, ou
“dos quais só vós conhecestes a fé.”.
Os cristãos que celebram a Eucaristia não
excluem ninguém.
As intercessões
geralmente terminam pedindo pela própria comunidade
que peregrina a caminho da vida eterna.
h. Doxologia final. É um breve hino de louvor:
“Por Cristo, com Cristo e em Cristo...”, abraçando
a Trindade. É o fecho da oração eucarística,
merecendo ser cantado, sobretudo o “Amém”
da assembléia. No canto esse “Amém”
pode ser repetido mais vezes.
Para conhecer mais...
Na consagração
do vinho, o sacerdote repete as palavras de Jesus na última
ceia: “...Este é o cálice do meu sangue,
o sangue da nova e eterna aliança, que será
derramado por vós e por todos para a remissão
dos pecados”. Para entender melhor os temas “aliança”,
“sangue derramado” e remissão dos pecado”,
leia na sua Bíblia Êxodo 24, 3-8. Depois, complemente
com esta explicação, comparando com as palavras
de Jesus.
Êxodo 24,3-8 mostra o rito da aliança selada
entre Deus e o povo hebreu no Monte Sinai, após a
saída da escravidão no Egito. Note que estão
presentes todos os elementos necessários para selar
a aliança. 1. Os parceiros que vão fazer a
aliança: Javé, representado pelo altar construído
por Moisés ao pé da montanha, e o povo todo,
visualizado nas doze estelas (marcos de pedra) representando
as doze tribos (talvez as dozes estelas estivessem dispostas
ao redor do altar). 2. As condições ou documento
da aliança, que são as palavras ditas por
Javé a Moisés na montanha e que Moisés
pôs por escrito, ou seja, os Dez Mandamentos. 3. O
selo de autenticação da aliança (assinatura),
representado pelo sangue dos novilhos.
Moisés apresenta ao povo as condições
para que a aliança se concretize. O povo concorda
e promete: “Faremos tudo o que Javé disse”.
Sela-se a aliança com o sangue das vítimas.
Metade do sangue é derramada sobre o altar –
símbolo de Javé; a outra metade é aspergida
sobre o povo, com estas palavras: “ Este é
o sangue da aliança que Javé faz com vocês
através de todas essas cláusulas”.
O sentido desse rito de aliança depende em parte
da compreensão que se tem do sangue – o selo
da aliança (assinatura). Em vez de os parceiros assinarem
o documento, são aspergidos com sangue, que para
o povo da Bíblia representa a vida. É, pois,
uma aliança vital (a vida depende dessa aliança).
É sangue de animais oferecidos em holocausto e sacrifício
de comunhão; portanto, sangue consagrado que consagra
a aliança.
5. Pai -nosso
Na oração eucarística pedimos que o
Espírito Santo faça da assembléia que
celebra um corpo único. Agora, o Pai-nosso nos educa
a sermos uma família única, com um único
Pai. Jesus ensinou só esta oração,
por isso é chamada “a oração
do Senhor”. São 7 pedidos distribuídos
em torno do “Pai nosso” e do pão nosso”.
É importante começá-lo todos juntos.
A oração que vem a seguir, rezada pelo presidente,
é ampliação do último pedido
do Pai-nosso: “mas livrai-nos do mal”. A assembléia
intervém com a fórmula final do pai-nosso
ecumênico: “Vosso é o reino...”.
6. Abraço da paz
Depois de rezar “Senhor Jesus Cristo, dissestes...”,
o sacerdote (o diácono) convida a comunidade a se
saudar fraternalmente com o abraço da paz. Partilhamos
a fraternidade em paz. É um costume que nasceu entre
os primeiros cristãos. São Paulo convidava
os coríntios a se saudarem com o beijo santo (1 Corintios
16,20). É excelente oportunidade de fazer as pazes
com alguém.
7. Fração do Pão
Terminado o abraço da paz, o presidente da celebração
parte o pão, repetindo o que Jesus fez: tomou o pão,
deu graças e o partiu... Os primeiros cristãos
chamavam a Eucaristia de Fração do Pão
(Atos dos Apóstolos 2,42). Esse gesto – de
Jesus e de quem preside – nos compromete com a partilha.
Partilhar o que somos e temos com quem nada possui é
de certa forma um ato eucarístico. Recomenda-se que
haja um só pão a ser repartido, para reforçar
a idéia de unidade e de partilha. O sacerdote mistura
um pedaço de pão ao vinho, para sublinhar
o tema da inteireza: corpo + sangue.
Enquanto isso a assembléia invoca o Senhor com as
palavras do evangelho de João: “Cordeiro de
Deus, que tirais o pecado do mundo...”.
8. Convite à Ceia
Após rezar algumas orações próprias,
o presidente mostra à assembléia o Corpo do
Senhor, fazendo o convite: “Felizes os convidados...”.
A assembléia responde com as palavras do oficial
romano: “Senhor, eu não sou digno...”.
(Lucas 7,6-7). Salientam-se duas coisas: nunca estaremos
à altura do dom que nos é dado; apesar disso,
confiamos na misericórdia divina. Por isso não
faz sentido ouvir coisas assim: “Quem estiver preparado...”,
pois acabamos de dizer que não somos dignos.
9. Comunhão
Jesus tomou o pão, deu graças, o partiu e
o distribuiu... Somente quem ama muito a Deus e se sente
muito amado por ele é que começa a compreender
o sentido inesgotável da união entre Deus
e as pessoas na Eucaristia. Por isso nos aproximamos da
Mesa da Eucaristia alegres e cantando. Estendemos a mão
esquerda para receber o Corpo do Senhor. Quem o distribui
no-lo mostra e diz: “o Corpo de Cristo”. Com
toda a convicção respondemos “Amém”,
que quer dizer: Eu creio, é verdade... Coma mão
direita pegamos o pão e comungamos, voltando ao nosso
lugar.
Aconselha-se que a comunhão seja sob as duas espécies
e que se receba a comunhão na mão, não
na boca. Convenhamos a língua não é
mais pura que a mão. Participe do canto de comunhão,
pois é expressão da unidade entre irmãos
que se alimentam do mesmo pão.
10. Ação de graças
Após a distribuição da Eucaristia e
terminando o canto de comunhão, fazemos ação
de graças. Eucaristia significa ação
de graças, mas esse é o momento oportuno para
agradecer em silêncio ou com um canto. Nunca compreenderemos
plenamente o que Deus fez por nós e nunca conseguiremos
agradecer de modo perfeito. Neste momento, não se
deixe vencer pela pressa de sair da igreja. Agradeça
do melhor modo possível.
11. Depois da comunhão
O presidente, de pé, convida à oração,
dizendo “oremos”. É a terceira oração
presidencial, e se dirige a Deus em forma de pedido. O que
o sacerdote pede em nome da assembléia? Geralmente
essa oração pede a Deus a graça de
ser coerente com aquilo que celebramos. Em outras palavras,
trata-se de enxertar a Eucaristia no cotidiano das pessoas,
em sua caminhada para o momento em que Deus será
tudo em todos (1 Corintios 15,28).
RITOS FINAIS
1. Bênção
A bênção final combina com o sinal da
cruz dos ritos Iniciais. No início marcamos o corpo
com o sinal da cruz e com a presença da Trindade.
Na bênção final, é a própria
Trindade que nos acompanha pela vida. Em ocasiões
especiais há formulários próprios de
bênção (por exemplo, Advento, Natal,
Páscoa, pentecostes... festas de Maria, dos apóstolos...).
2. Despedida
O presidente da celebração (o diácono)
despede a assembléia em paz. Todos voltam para a
casa com mais alegria e esperança. Às vezes
canta-se um hino. Neste caso, não se deve sair antes
do canto terminar. O primeiro a se retirar será quem
presidiu a assembléia celebrante.
INDICAÇÕES ÚTEIS
PARA UMA BOA CELEBRAÇÃO
1. Gosto de presidir assim
Desde 1999 presido a Eucaristia numa comunidade pobre em
São Paulo, chamada “Mãos Unidas”
. No inicio havia dificuldades, as pessoas tinham vergonha
de ler, cantar, falar, partilhar. Aos poucos foram se soltando,
e hoje cantamos, partilhamos... O espaço é
pequeno, mas as pessoas são maravilhosas. Com esse
meu povo gosto de celebrar a Eucaristia. Não pretendo
com isso ensinar lições a ninguém.
Há quem faça melhor. Contudo nós celebramos
desta forma:
- Enquanto se preparam os cantos e distribuem as tarefas,
acolho as pessoas que vão chegando. A celebração
começa sempre com um gostoso “bom dia”
e as tradicionais perguntas “vocês estão
bem?”, “como foi a semana?”. Sendo um
grupo pequeno e que se conhece bem, é fácil
recolher aí material bom para celebrar a vida.
- Faço um breve apanhado da celebração,
perguntando “o que celebramos hoje?”, “que
domingo é hoje?”, e assim entramos no sentido
da festa. Às vezes chamo a atenção
para o desenho do folheto.
-Se há pessoas chegando pela primeira vez, são
apresentadas (nome, onde moram), e as acolhemos com o canto
“seja bem vindo (a), olelê...”
-Buscamos os aniversariantes da semana – presentes
ou não – e nos comprometemos a rezar por eles.
Abre-se espaço para outras intenções.
Às vezes suscito motivações perguntando:
“Vocês viram o que o telejornal mostrou ontem?”.
Assim nosso horizonte se amplia, e o mundo entra nesse pequeno
espaço celebrativo.
-Os cantos são (quase) sempre sintonizados com o
tempo litúrgico e o tema do dia. No canto de entrada
acendemos a vela do altar, representando nossa fé.
Cantamos o sinal da cruz, a saudação, o ato
penitencial e o hino de louvor. Na liturgia da Palavra,
cantamos o salmo (solista e assembléia) e a aclamação.
Antes de iniciar a celebração, peço
a alguém para escrever no quadro uma frase da primeira
leitura e outra do evangelho. Minha homilia não passa
de 5 minutos. Insisto para que levem consigo o folheto e
retomem os textos durante a semana. Às vezes não
apresentamos as motivações no inicio, mas
as expressamos em preces na “oração
dos fieis”.
-Da Liturgia Eucarística cantamos o canto das ofertas,
o santo, as respostas da Oração Eucarística,a
doxologia “Por Cristo...”, o “Amém”
e o “Cordeiro de Deus” após o abraço
da paz. Todos comungam sob duas espécies e, terminado
o canto de comunhão, fazemos a ação
de graças (canto, silêncio, oração...).
Antes dos Ritos Finais cantamos parabéns aos aniversariantes.
Quando há uma festa importante durante a semana,
chamo a atenção para esse dia.
-Cantamos a bênção final e a despedida.
Às vezes adoçamos a boca e a vida com bombons,
bolo de aniversário, panetone no Natal, colomba na
Páscoa... Todos os domingos as crianças ganham
pãozinho, ou seja, hóstias não-consagradas.
A missa não passa de 1 hora, e é muito gostoso
celebrar juntos.
A catequese de São João Crisóstomo
“Se queres honrar o Corpo de Cristo, não desprezes
quando está nu. Não o honres assim, na Igreja,
com tecidos de seda enquanto o deixas fora sofrer frio e
carente de roupas. Com efeito, o mesmo que disse: ‘isto
é meu Corpo’ e o que realizou ao anunciar,
também disse: ‘Me viste com fome e não
me deste comida’... Deus não precisa de copos
de ouro, mas de almas que sejam de ouro... Que vantagem
que há que o altar de Cristo esteja coberto de cálices
de ouro, quando ele próprio morre de fome? Começa
por alimentar os famintos e, com o que te sobra, ornamentarás
o altar...”.
2. Cuidado com os “ruídos”
Muitas de nossas comunidades não dispõem de
espaço sem ruídos externos para celebrar.
Aviões, carros, trens, industrias, vizinhos barulhentos,
cães latindo ou brigando nas vielas... são
todos ruídos externos que atrapalham a celebração
e quase nunca podemos evitar. Mas há “ruídos”
internos que podem ser evitados. Além dos ruídos
normais, há os “ruídos” litúrgicos.
Evite-os. Alguns exemplos: 1. Mandar ficar de pé,
sentados etc. Será que a assembléia já
não sabe? 2. Há leitores que iniciam assim:
“Primeira leitura”, ou: “segunda leitura”,
e citam até os versículos. São “ruídos”
evitáveis. 3. O salmista deve evitar dizer “salmo
responsorial. Refrão. Todos”. 4. “De
pé para aclamar o evangelho...” 5. “Quem
estiver preparado para a comunhão...”.
3. Com criatividade
Criatividade não significa virar as coisas de ponta-cabeça.
Se não nos colocamos por inteiro, nenhuma dinâmica
nos motivará a celebrar bem. E a motivação
nasce de dentro da pessoa. Celebrar como se fosse a primeira
vez, ou como se fosse o último ato de nossa vida.
Infelizmente muitos são escravos do tempo, e a Eucaristia
acaba sofrendo deterioração. Pessoalmente
é-me difícil presidir a Ceia do Senhor em
meia hora. Pelo menos 45 minutos, para saborear as duas
mesas, da Palavra e da Eucaristia. É possível
desrotinizar as celebrações, basta ter motivações
amplas e profundas. Sem querer dar lições
a ninguém, aqui vai um testemunho pessoal para os
dias de semana (já falamos do domingo, veja acima).
Durante a semana, presido a Eucaristia em comunidades pequenas,
sem permitir que a rotina sufoque nosso maior tesouro. Procuramos
unir estreitamente as duas mesas, fazendo do mundo o nosso
altar, trazendo para dentro da celebração
todo o povo. Costumo também salientar cada dia um
aspecto. Por exemplo, o ato penitencial. Além de
cantá-lo, fazemos pedidos espontâneos de perdão,
nos damos a paz. Às vezes gosto de deslocá-lo
para depois da homilia, ou que nos abriu os olhos. Em outra
ocasião, partilhamos a homilia, ou fazemos preces.
Às vezes abrimos espaço para um prefácio
espontâneo, buscando na vida das pessoas motivos de
louvor ou ação de graças... Em outra
ocasião, privilegiamos a ação de graças
após a comunhão...
Em poucas palavras, a Eucaristia só se torne rotina
para quem quer, para quem não ama. O modo como celebramos
é o melhor retrato da comunidade.