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1
- O que é o CPP ?
O
CPP - Conselho Paroquial de Pastoral - é uma equipe,
um grupo de pessoas, escolhidas pela comunidade dos fiéis,
em Assembléia Paroquial e em comunhão com o
pároco, provisionadas pelo bispo, que representam as
comunidades/capelas, os ministérios, as pastorais e
movimentos existentes na paróquia, e têm como
missão o serviço da animação pastoral
da paróquia.
2.
O que faz o CPP ?
O
CPP tem a missão de garantir a vida de comunhão
na paróquia. Por isso, é responsável
pela organização e articulação
das pastorais, e pela espiritualidade e formação
dos fiéis. Ao CPP cabe refletir, planejar, decidir,
animar e revisar toda a ação pastoral da paróquia.
Ele deve preparar, organizar e realizar as Assembléias
Paroquiais de Pastoral, que são a instância mais
importante da caminhada pastoral da paróquia. Ele encaminha
a realização do Planejamento Paroquial de Pastoral.
A ele cabe conhecer a realidade e seus desafios, julgá-la
com os olhos da realidade e da Palavra de Deus, e estimular
ações transformadoras que a tornem sinal do
Reino de Deus.
3.
Por que o CPP ?
Desde
o Concílio Vaticano II (1962-1965), a Igreja Católica
assumiu um rosto novo. Ela foi definida como Povo de Deus.
Insiste-se mais na dimensão da Igreja-comunhão.
É o novo jeito de ser Igreja-família, Igreja-participação,
Igreja-comunidade, Igreja-povo. Nela, todos os fiéis
são co-responsáveis pela vida cristã
e pela missãoevangelizadora. Todos os batizados têm
carismas ou dons, para serem postos a serviço da comunidade.
O CPP é a expressão organizacional da Igreja,
que pretende ser mais participativa e comunitária.
Quanto maisconselhos houver na Igreja, mais ela será
participativa.
4.
Para que o CPP ?
O
CPP tem como finalidade garantir a presença de todas
as forças vivas na animação da ação
pastoral da paróquia. É sobretudo uma garantia
da presença e da atuação do leigo, com
o fim de superar as práticas autoritárias e
clericais ainda presentes entre nós. Além disso,
o CPP serve para garantir a continuidade pastoral da paróquia.
Hoje é muito comum haver transferência de pároco.
Bem mais comum do que antigamente, quando um pároco
ficava décadas numa só paróquia. O CPP
garante que, com a mudança do pároco, a paróquia
não sofra quebra de continuidade de sua ação
pastoral. A função principal é a de ser
um lugar de participação, reflexão, decisão,
execução e avaliação pastoral.
O CPP é um instrumento de representação
da comunidade e de articulação pastoral. O CPP
é um espaço e instrumento de comunhão,
de cidadania e democracia na Igreja.
5.
Como se organiza o CPP ?
Como
em todos os níveis da Igreja, também o CPP se
organiza segundo os princípios de unidade e diversidade.
Na Igreja, o papa é responsável pela unidade,
enquanto os bispos do mundo inteiro representam a diversidade.
Na diocese, o bispo é responsável pela unidade,
enquanto os padres, diáconos e lideranças leigas
representam a diversidade de paróquias, pastorais,
movimentos, tendências espirituais e teológicas.
Na paróquia, o pároco é responsável
pela unidade, enquanto os vigários paroquiais, as lideranças
leigas e os coordenadores representam as forças vivas
existentes na paróquia.
6.
Qual a competência do CPP ?
O
CPP é um conselho consultivo que, em comunhão
com o pároco e de acordo com as decisões da
Assembléia Paroquial, pode, a seu nível, tomar
decisões pastorais e financeiras. Os membros do CPP
representam as forças vivas da paróquia. Por
isso, cada representante não fala em nome próprio,
mas em nome de quem representa e tem a obrigação
de repassar, para o grupo que representa, as conclusões,
decisões, reflexões de todas as reuniões.
7.
Quem são os membros do CPP ?
São
membros do CPP: o pároco, os vigários paroquiais,
os diáconos, o coordenador paroquial de cada pastoral,
o coordenador paroquial de cada movimento, o coordenador paroquial
de cada ministério, o articulador paroquial dos grupos
de reflexão, o coordenador e outros representantes
do CPC (Conselho de Pastoral da Comunidade - capelas), um
ou dois representantes da CAEP (responsáveis pela administração
e pelo dízimo).
8.
Quais são os objetivos específicos do CPP ?
O
CPP tem como objetivo específico executar as decisões
das assembléias; articular e animar toda a vida pastoral
da paróquia; investir na formação de
lideranças; propor iniciativas pastorais; opinar e
decidir sobre as finanças e o patrimônio (despesas,
compras e vendas, reformas, etc); resolver questões
do dia-a-dia; ouvir a comunidade e encaminhar as soluções
dos problemas.
9.
O que é necessário para o CPP funcionar bem
?
Para
que o CPP possa funcionar bem, deve-se escolher pessoas representativas
da comunidade; que dêem testemunho de vida; sejam abertas
à pastoral e engajadas na comunidade; tenham visão
de Igreja e queiram doar-se no serviço aos irmãos.
É preciso, também, constituir comissões
de trabalho e ter cronograma de atividades. Abrir-se às
mudanças e estudar temas de interesse comum, que ajudem
a conhecer e enfrentar os desafios. Preparar bem as reuniões.
Fazer de cada reunião uma oportunidade de auto-evangelização.
Ter espiritualidade para superar as dificuldades. Fazer passeios,
retiros e estudos em comum. Avaliar as reuniões. Usar
de criatividade nas reuniões. Garantir a continuidade
da caminhada. Evitar a rotatividade das pessoas.
10.
Quem preside o CPP ?
Quem
preside o CPP é o pároco. Ele deve estar presente
em todas as reuniões, pôr na pauta os grandes
desafios e compromissos da paróquia, oferecer os grandes
eixos doutrinais e pastorais, a fim de iluminar os participantes
a tomar as decisões que forem necessárias. Pode
também haver um/a coordenador/a, que seja responsável
pelaarticulação, organização,
agenda das reuniões, etc. Esse coordenador deve atuar
em sintonia e unidade com o pároco.
11.
Qual é o tempo de mandato dos membros do CPP ?
Os
membros do CPP têm um mandato de 2 anos, podendo ser
reconduzidos. Deve-se evitar que as mesmas pessoas se perpetuem
no cargo e não dêem espaço para novas
lideranças. Mas, deve-se evitar a rotatividade pura
e simples, a fim de garantir a continuidade da caminhada pastoral.
O ideal é que, na escolha de representantes, haja um
equilíbrio entre membros novos e outros que tenham
experiência da vida paroquial.
12.
Qual é a freqüência das reuniões
do CPP?
O
CPP deve reunir-se uma vez por mês, ou, no mínimo,
bimestralmente, e toda vez que se fizer necessário.
Todas as reuniões sejam registradas no Livro de Atas.
Deve-se ter em conta que em cada reunião não
podem faltar quatro coisas: a) Aprender algo novo; b) Acolher
e valorizar cada pessoa; c) Crescer na amizade e no relacionamento;
d) Aprofundar-se na vida espiritual.
13.
Que defeitos o participante do CPP deve evitar?
Quem
for escolhido para participar do CPP não pode ser um
membro isolado da comunidade. Fazer uso autoritário
do poder. Querer mandar no padre e na comunidade. Fazer sub-grupos,
cochichos, falatórios durante a reunião. Ser
desleixado no horário para iniciar e terminar. Monopolizar
assuntos e não dar vez para os outros falarem. Ficar
calado, desinteressado e indiferente sobre as questões
tratadas. Fechar-se nas próprias idéias, sem
abertura para aprender a refletir e decidir em comum. Ser
subserviente e bajulador com relação ao pároco.
Provocar divisões, acusações, agressões,
fofocas.
14.
Como resolver os conflitos no CPP?
Surgindo
alguma dificuldade entre membros do CPP, é importante
observar a lei do diálogo e do perdão. Dar exemplo
de unidade. Colocar os conflitos na oração diante
de Deus. Ter posicionamento crítico e senso profético.
Treinar a prática da correção fraterna.
Viver a espiritualidade da comunhão. Experimentar
o poder salvador e reconciliador da cruz. Por isso, ser sempre
aberto, solidário, serviçal, fraterno.
15.
Como começa a vigência de um CPP?
Feita
a escolha dos representantes de todas as forças vivas
da paróquia, em Assembléia Paroquial, o pároco
deve encaminhar ao bispo o pedido de provisão para
todos os membros do CPP, com o nome completo e a entidade
que cada membro representa. Recebida a provisão, faz-se
uma celebração de apresentação,
bênção e envio dos novos membros. Tem,
aí, início a vigência do novo CPP.
16.
Como termina a vigência de um CPP?
O
CPP pode terminar sua vigência nos seguintes casos:
a) quando chegar o prazo determinado pelos estatutos (dois
anos); b) quando o pároco, por motivos sérios
que afetem a caminhada pastoral, julgar conveniente destituí-lo;
nesse caso, ele só poderá fazê-lo com
a licença do bispo. É bom considerar que cabe
ao CPP fazer a transição nos casos de mudança
de pároco. Aos membros do CPP cabe o compromisso de
reunir-se com o novo pároco para apresentar-lhe a caminhada
pastoral da paróquia, o Plano Paroquial de Pastoral
que está em vigor, os desafios, propostas e prioridades
da ação pastoral paroquial.
17.
Qual a ligação ente o CPP e Pastoral de Conjunto?
É
o CPP que deve garantir a pastoral de conjunto. Quem está
no CPP deve interessar-se por todas as pastorais. Ninguém
deve defender apenas a sua pastoral ou movimento ou comunidade
ou ministério. A pastoral de conjunto tem a primazia.
É preciso ter visão comunitária. Todos
no CPP devem interessar-se por todas as comunidades, pastorais,
ministérios, movimentos e forças evangelizadoras
que existem na paróquia.
18.
Qual a relação entre o CPP e os Grupos de Reflexão?
O
CPP deve ser o grande incentivador dos grupos de reflexão.
Deve mostrar todo interesse e empenho em favor deles. Incentivar
a criação de novos grupos. Oferecer subsídios
para a formação dos animadores. Ajudar na solução
dos problemas. Fazer dos grupos de reflexão a sementeira
de novas lideranças e ministérios na paróquia.
19.
Qual a relação entre o CPP e os Ministérios?
Há
uma relação profunda entre CPP e os Ministérios.
O CPP deve valorizar a Escola de Ministérios da Comarca.
Deve escolher candidatos para os diversos ministérios.
Ajudar na prática e na avaliação da caminhada
dos novos ministros. Descobrir as pessoas que tenham o carisma
certo para cada ministério. Favorecer a prática
de uma Igreja toda ministerial.
20.
qual a relação entre o CPP e a Formação
de Lideranças?
O
CPP deve manter-se sempre preocupado em investir na formação
de lideranças leigas. Deve reservar uma boa parte da
receita da paróquia para a formação bíblica
e espiritual, teológica e pastoral, de leigos e leigas.
O CPP deve
aproveitar-se de todos os cursos oferecidos pela comarca ou
arquidiocese, para enviar representantes da paróquia.
Só assim teremos uma Igreja adulta com cristãos
adultos, uma paróquia enriquecida com cristãos
que vivem a maturidade de Cristo.
21.
Qual a relação entre o CPP e CAEP?
O
CPP é o órgão máximo de execução
das decisões tomadas pela Assembléia Paroquial.
Como todas as equipes pastorais, também a CAEP - Comissão
para Assuntos Econômicos da Paróquia - deve ter
seu representante no CPP e caminhar em unidade com ele. Cabe
à CAEP favorecer, com os meios econômicos, a
realização dos objetivos do CPP. Por sua vez,
o CPP deve ouvir as propostas e pareceres da CAEP, discuti-los
e aprová-los, e oferecer apoio às atividades
da CAEP.
22.
O que muda na paróquia com a existência do CPP?
A
existência do CPP numa Paróquia leva à
mudança do modelo de Igreja. Sem o CPP, tudo fica centralizado
no padre ou em algumas lideranças. Com o CPP, coloca-se
em prática o modelo de Igreja do Novo Testamento e
do Concílio Vaticano II: uma Igreja ministerial, participativa,
missionária, transformadora, ecumênica, celebrativa
e servidora.
23.
Pode uma paróquia não ter o CPP?
Não.
Todas as paróquias devem ter CPP, porque somos uma
Igreja-comunhão, que tem sua fonte na Santíssima
Trindade, e deve estar em sintonia com o Concilio Vaticano
II, com as orientações da CNBB e com as Diretrizes
da
Igreja em Santa Catarina e na Arquidiocese. Uma paróquia
sem CPP é anacrônica, desatua1izada, anti-trinitária.
Ofende gravemente à vida e ao projeto de nosso Deus,
que é unidade na diversidade. É uma Igreja que
vai na contra-mão da história, pois hoje todas
as empresas e entidades civis e políticas atuam na
forma de conselhos.
24.
Quais as diferenças entre paróquias com CPP
e sem CPP?
As
paróquias sem CPP estão centralizadas no padre
e em alguns leigos. São paradas no tempo, tradicionalistas,
autoritárias, conservadoras, sacramentalizadoras. Nelas
não há espaço para refletir sobre os
grandes desafios do novo milênio e para tomar decisões
importantes para uma obra evangelizadora eficaz. Nelas, é
muito maior o risco de perder fiéis, de dividir lideranças,
de criar conflitos. As paróquias que têm CPP
e onde o CPP funciona adequadamente, são dinâmicas,
evangelizadoras, participativas, ministeriais, criativas.
Sabem enfrentar os desafios do mundo moderno.
25.
O que diz a Bíblia sobre o CPP?
Há
inúmeras passagens bíblicas que podem servir
de fundamento para a prática de uma Igreja comunitária
e participativa. Podemos citar as seguintes: Êxodo 18,13-27:
Moisés organiza o povo em grupos para melhor conduzir
a convivência entre as pessoas e a sociedade. Números
11,24-30: O Senhor retira um pouco do espírito de Moisés
e o reparte entre os setenta anciãos do povo. Marcos
3,13-19: Jesus forma o grupo dos Doze apóstolos. Marcos
6,39-40: Jesus pede que a multidão seja formada em
grupos de cem e de cinqüenta, para a distribuição
dos pães. Atos 1,21-26: Pedro pede à comunidade
para escolher o substituto de Judas, o traidor. Atos 15,6-29:
os apóstolos e os anciãos de Jerusalém
se reúnem em conselho para resolver sérios problemas
da Igreja primitiva. Enfim, toda a obra evangelizadora de
Jesus Cristo foi feita na unidade com seus discípulos.
Nas comunidades primitivas, tudo era comum entre os fiéis,
também o trabalho da missão. Paulo deixa em
cada comunidade um grupo de pessoas que continuava a sua obra
evangelizadora.
26.
O que a fé cristã diz sobre o CPP?
Há
muitos elementos da doutrina cristã para fundamentar
a existência e a importância do CPP. Alguns deles:
Deus em seu mistério íntimo vive em equipe,
em grupo, em comunidade, na vida da Santíssima Trindade.
Jesus, Deus feito homem, constituiu o grupo dos Doze e dos
setenta e dois discípulos, como articuladores das multidões
que o seguiam. O projeto salvífico de Deus passa pela
comunhão dos fiéis em uma só Igreja.
O céu é o lugar da comunhão
plena.
27.
Que outros conselhos há na Igreja?
Os
conselhos de pastoral estão presentes em todos os níveis.
Na comunidade, temos o CPC - Conselho de Pastoral da Comunidade.
Na paróquia, o CPP. Na comarca, o CCP - Conselho Comarcal
de Pastoral. Na diocese, o CARP - Conselho Arquidiocesano
de Pastoral. Também a CNBB tem seu CEP - Conselho Episcopal
de Pastoral. Além de conselhos pastorais, nossa Arquidiocese
tem: o Colégio de Consultores (que reúne alguns
padres responsáveis pelas grandes decisões da
diocese), o Conselho Presbiteral (que reúne os padres
representantes detodo o clero, para tratar de assuntos de
sua vida e ministério), o Conselho de Formadores (que
reúne as pessoas responsáveis pela formação
dos seminaristas). Esses conselhos diocesanos se constituem,
com o bispo à frente, em instâncias de estudos,
debates e decisões. Além de tornar-se uma Igreja
mais atualizada e conforme aos grandes desafios e valores
do tempo presente, os conselhos ajudam a Igreja a permanecer
fiel ao projeto salvífico e comunitário de nosso
Deus.
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