As
CEBs nasceram no Movimento de Jesus de Nazaré que,
ao optar pelos pobres e excluídos, testemunhou um
jeito de viver libertário. As CEBs estavam na origem
do cristianismo, nas Primeiras Comunidades Cristãs
que, sob a liderança dos Helenistas e das mulheres,
foram, de casa em casa, vivenciando o projeto do evangelho
de Jesus que é ótima notícia para os
pobres, mas péssima notícia para os opressores.
No
Brasil e na América Latina, as CEBs (re)nascem especialmente
em fins da década de 50 e início dos anos
60 do século XX, impulsionadas pelo novo modelo eclesiológico
defendido pelo Concílio Ecumênico Vaticano
II, na Constituição Lumen Gentium, que recupera
e reconhece o lugar do Povo de Deus, não mais apenas
como “destinatário passivo” da evangelização,
mas como “sujeito eclesial” e “protagonista
da ação evangelizadora de toda a Igreja”.
Vale lembrar que, em nosso continente, originariamente,
as CEBs são identificadas como “comunidades
cristãs de base”. Posteriormente serão
denominadas “comunidades eclesiais de base”.
Esta mudança, porém, não sugere, como
poderia induzir, uma espécie de substituição
do seguimento de Cristo (cristãs) pelo da Igreja
(eclesial). Ao contrário, parece evidenciar a reformulação
teológica (eclesiológica) do conceito “comunidade”
que, se “cristã” (seguidora de Cristo),
torna-se, naturalmente, eclesial, se entendemos que a missão
da Igreja é congregar o povo de Deus para ser sinal
do seu Reino e “sacramento universal de salvação”,
que deve transformar todas as realidades, precisamente no
sentido que segue: “O novo que as CEBs trouxeram foi
o fato de oferecerem, dentro da Igreja, um espaço
para o próprio povo simples participar da evangelização
da sociedade através da luta pela justiça”.